13 fevereiro 2016

Cadeira Vazia

O tempo simplesmente
mente.
As horas se esqueceram no passado
e a s pessoas boas nos deixaram.
Mas as outas pessoas
ainda teimam,
ainda queimam,
ainda se vão.
A mesa está repleta
de convidados.
Os dias nascem
e a noite simplesmente
mente.
A morte simplesmente...
À mesa sentam-se os demais.
À mesa faltam os meus.
As lágrimas secarão,
as dores passarão,
as pessoas...

08/02/2015

Marcilon

12 setembro 2015

Antes que acabe

A teimosia dos dias
esquecem as almas perdidas.
Quanto pavor em perder um segundo,
um minuto,
uma eternidade.
Mas antes que acabem as horas,
antes que brotem novas lágrimas,
antes que durmas por muito tempo,
me diga teu nome
para que eu possa esquecê-lo.

07 abril 2014

A própria vida

João, porque choras?
Maria, porque padeces?
José, onde está vosso sorriso?
São todos tão caridosos,
       tão desinteressados
              na própria vida.

Goiânia, 03/04/2014.

sem título

Não vejo sentido no sofrimento.
Padecer sob olhos magnânimos de bondade.
Apodrecer nos catres da caridade.
Definhar alhures em bendito carma.
Quanta divina crueldade!

Goiânia, 03/04/2014

27 janeiro 2013

Noites perdidas




Noites perdidas
Sonhos intensos
Pesadelos internos
Em sonos pesados
Desvelados
Imagens confusas
Somente gotas
Formando rios
Oceanos cansados
Tolas escuridões
Assim como insonias
Como histórias de ninar
Nascer e dormir
Ah! Etenidade atrasada
Morte cansada
Olhos mareados
Sonhos perdidos
Alma iludida


Natal, 27 de janeiro de 2013

Ainda há tanto...


















Ainda há tanto por fazer
e tanto a esquecer.
Nem saberemos, um dia,
a cor da chuva quando cai
ou onde termina o arco-iris.
Se negra é a cor do infortúnio
e branca a cor do preconceito.
A coloração do infortúnio
é fétida e sem graça.
Assim como crer na eternidade
pode ser tolo,
mas pode ser parte do todo.
Ainda há tanto por fazer...


Natal, 27 de janeiro de 2013

26 janeiro 2013

Esperança



















Doce esperança em um céu de brigadeiro
e o luar aparece de tênue azul
onde almas felizes sorriem embevecidas.
Tantas outras sorriem gratuitamente,
dizem ser a primavera chegando.
O humor suave de brisas descontroladas
e brumas acessíveis acalentam os desavisados.
Fugaz se mostra tão repentino ambiente,
às vezes "caliente" ou até mesmo contente.
Crédulos em paraíso vindouro
rezam suas ladainhas,
nem monótonas,
nem enfadonhas.
Olhos cegos creem no futuro
                       certo, dizem.
Repetem uma vez mais o amém.
O cortejo prossegue.
O féretro com sua carga,
                      caminha.
Garoa triste em descompasso
acaricia peles e tecidos.
Uma última palavra,
uma lembrança
e um adeus

Natal, 23/12/2012

19 janeiro 2013

Inaudível


O mundo gira inaudível.
E somos nós surdos,
Que, mudos, não alertamos ninguém.
O mundo gira insensível.
E todos nós, tolos,
Choramos pelas misérias alheias.
O mundo ainda gira
E nós ficamos parados,
Levados pelo mundo... cão ou não.
O mundo não para,
O tempo não nos ouve.
Nós não ouvimos ninguém.
O mundo gira inaudível.
O mundo gira.
O mundo não para,
A vida sim.

Natal, 19 de Janeiro de 2013

15 dezembro 2012

Senhora da noite


Menina da noite
Eu lhe quero bem
Porque me atormenta assim?
Menina da noite
Eu não sei ao certo
O quão deserto é seu coração
Menina da noite
Diga-me algo suave
Boa noite, meu amor – pode ser
Menina da noite
Não sei ao certo o seu nome
Sei que não me vê
Menina da noite
Estou de partida nesta hora
Embora parta com você
Menina da noite
Não entendo minha sina
Ensina-me a morrer
Menina da noite
Despeço-me mesmo assim
E desejo-lhe tanto assim
Senhora da noite
Envelheço com você
Envelheço sem lhe ver
Senhora da noite
Há muito tempo lhe persigo
E agora me encontrou
Senhora da noite
É bem tarde eu sei
É muito tarde


Natal, 15 de Dezembro de 2012

20 outubro 2012

Efemérides



Porque os vermes não são um destino nobre?
São as variadas mortes nos campos
As muitas sortes de todos esses pobres
Lembram corpos caídos ainda limpos
Suave sugar de sangue em "Canudos"
Miseráveis espíritos, ainda todos mudos
Cabeças separadas de toda ordem
Maçons, rosacruzes, padres e muitos outros poderes
Cujas vidas se esgotam sutis e ardem
Nem sequer recuperam seus haveres
As tolas rimas cessam
Em farrapos ao sul
Libertas quae não será amém
Nem ninguém
Favelas que se formaram por todas cidade
E eu rio em janeiro
Seus soldos que não nos pagaram
Chagam feridas podres e mal cheirosas
Mesmo assim cantam rosas
Que não falam, não gorjeiam
e morrem como tudo o mais
Contudo é beleza
Efêmera


Luanda, 01 de Novembro de 2008

18 dezembro 2011

Trecheiro


Raizes para plantas sensíveis
As famílias, frágeis raízes,
rizíveis até, para bárbaros tão modernos
sem morada certa, ao certo.
Desbravadores de novas terras, novas tradições.
Rostos a mais em meio a multidões,
líderes de quefazeres sem fim,
inacabados, abandonados em novas lides.
Raízes são para as plantas indefesas.
Os tênues laços de família suportam ausências sem fim.
Sons de tambores e sinais de fumaças marcam presenças ilusórias.
Sentidos aguçados percebem ondas eletromagnéticas,
mensagens cruzam o ar em velocidade estupenda
e as lágrimas secas não marejam nos olhos desses soldados.
As companhias frugais das bebidas e moças alegres permeiam as batalhas,
se derrotada ou não, a guerra nunca será vencida.
Outros “fronts”, outras obras precisam dos trecheiros
                Engenheiros.
Hoje um cigarro e até um pileque.
Amanhã um bordel , hotel ou uma senhora de véu;
um templo, uma basílica, um centro ou terreiro,
Mas sempre de terceiro.
As raízes podem ser profundas ou não
e o seu povo sempre espera.
Esperança que um dia o cansaço chegue,
o desânimo se aproxime,
e a morte não o desabone,
nem o abandone.
Dessa vez a raiz será arrancada
e a pobre árvore perecerá.

Marcilon
Recife, 17 de dezembro de 2011.


Homenagem aos trecheiros, Engenheiros.
Feliz dia dos Egenheiros, 11 de dezembro.

15 maio 2011

Felicidade ?

Positivamente, nego toda felicidade
se inicio assim tão decidido
São lições que aprendi nesses meus poucos anos
são poucas linhas brancas enfeitando meus cabelos
e muitas negras em muitas vidas que vejo
não apenas a fome ou as doenças incuráveis
não é apenas a morte que não conseguiremos enganar
são pequenos momentos
mas são muitos
e são os grandes e eloquentes
dias, semanas, meses e anos
sem a cor da alegria
sem o sorriso da tua face
relances pálidos aparecem
de poucos e moucos risos
talvez seja anomalia mesmo
algum dia achar ser possível
uma felicidade risível
abstrata e oferecida
simpática e honesta
singela e compreensível
Posso ter vivido outras vezes
posso ter enganado outros tantos
mas sempre chega a hora
sempre chega o destino
e até essa brevidade que nos sorriu
se vai e nos esquecerá
e nos esqueceremos
e iremos todos


Luanda, 10 de julho de 2010

30 dezembro 2010

Ano novo

As piadas ficaram velhas
e tolos sorrisos não conseguem envelhecer.
Somente os dias se passaram
e lágrimas novas já não são.
Tristezas antigas sempre serão
e os idiotas muitas vezes falam bobagens.
Os intelectuais também o fazem,
se existem,
mas nada interessa.
O ano novo chega.
São novos votos,
até eleições novas,
são promessas vãs, sabemos.
Sabemos mentir a nós mesmos,
serenamo-nos
e esperarmos lentamente
a morte,
a sorte.
Feliz ano novo!

Goiânia, 29 de dezembro de 2010

31 outubro 2010

Grão de areia

Talvez não faça diferença
o pequeno grão de areia,
assim tão ínfimo,
tão finito
perante o tão infinito,
perante as divindades.
Pobre grão de areia!
Mesmo existindo,
apenas existe.
O pequeno inseto
maior que o pó
será apenas pó.
Um imenso planeta
poeira Insignificante
perante o universo.
Ah! Vida tão finita!
Oh deuses!
Tende piedade de nós,
criação divina.


Avião a 1900 Km do Brasil, vindo de Luanda para São Paulo a uma altura de 11.582 m sobre o Oceano Atlântico, 04 de junho de 2010.

Minha casa tão pequenina

Minha casa tão pequenina
Tentei colocar ali junto ao fogão
Um pouco de alegria
Mas só coube a solidão
Fui arrumar perto da mesa
Um cadinho de beleza
Consegui um tanto, eu sei
Mas não combinou com a fruteira
Muitas frutas carcomidas
Não pela boca, pelo tempo.
Que o belo foi-se embora
Deu lugar a outra senhora
Nem formosa nem horrenda
Apenas tomou aquele lugar.
Outro dia arrumei tranquilidade
Coloquei ao lado da cadeira
Na sala de estar onde eu ficava
Mas o vizinho, ao seu estilo
Tratou logo de levá-la
Deixando companheira da solidão
A pobre depressão
Não me dei por vencida
Sou alma descontente
Com coisa pouco atraente
Limpei toda varanda
Coloquei ali a esperança
Mas como eu já não vivia
Ela, de verdade, não existia
Ficou comigo a ilusão.


1403 Km de São Paulo sobre o Oceano Atlântico, vindo de Luanda à 38.000 pés de altitude, no Avião
04 de Junho de 2010

09 julho 2010

Começo do fim

começa comigo
as minhas ações
termina em mim
o meu fim
sem ferir corações
sem sentir emoções
uma luz se acende
outro dia nasce
outro tolo nasce
outro fim se aproxima
outra próxima vítima
muitas vezes tão íntima
em rítimo lento
ou frenético
termina comigo
minhas ações
começa meu fim
em mim


Luanda, 10 de lunho de 2010

03 julho 2010

tão finito

Não entendo as mazelas dessa forma
porque nem sei se forma elas têm
não consigo enxergar as tristezas desse jeito
que nem jeito têm de ser tão tristes
menos ainda de buscar alegria em qualquer lugar
algures poderia haver algo mesmo assim
mesmo que não seja belo
que não seja feliz
não seja você
nem seja eu
O que sei, na verdade
é que todos buscam de verdade
por sentimentos tolos de tamanha maldade
pois belos que são
estão apenas na ilusão
por isso eu não entendo as mazelas
porque não sei a forma que elas têm
por isso eu não consigo ver a felicidade
nem iniquidade
naquilo que podem fazer
apenas para se entreter
são segundos, horas ou séculos
de luz e trevas
de vidas e mortes
de obscuridade ou claridade
clarividência nunca será
proficiência talvez
mas nunca se saberá
se a escolha será certa
se a morte será plena
se a vida é, deveras, curta
se o crime não compensa
se o grito será ouvido
se olvido tanta dor
tanto amor

simplesmente será assim
assim o é
para todo o sempre
sempre findo
no infinito
finito


Luanda, 04 de julho de 2010

30 março 2010

Rimas que tento

Tempo
Lento
No campo

Tento
Lendo
Sem tempo

Entendo
O tempo
Bento

E o vento
Atento
ao tempo

Sê contratempo
Em passatempo
do tempo



Luanda, 30 de Março de 2010

25 março 2010

Mundo tão pequeno

Ontem o mundo tão pequeno
para eu esconder minha pequenez extrema.
Eu não ouvi minha voz se lamentar muitas vezes,
mas lamentou-se tantas vezes apesar de tudo.
Eu ouvi vozes amigas me sussurrando alguma coisa.
Pena que meu ouvido se fez mouco uma vez mais.
Não havia nenhum buraco de avestruz
para eu me esconder de minha insensatez.
Fugir de mim mesmo,
desaparecer simplesmente.
Ontem o mundo era tão pequeno
e tantos olhos a me vigiar,
tantas vozes mudas a me criticar,
que nem as ouvi.
Apenas senti a minha mente
mentindo a mim mesmo.
Hoje já não há tanto peso.
Amanhã nem sei se vou lembrar,
nem sei se vou a algum lugar.

Luanda, 25 março de 2010